RESULTADOS


A HISTÓRIA DA _RTE é a área das ciências humanas em que se constrói uma narrativa sobre a criação de objetos e experiências realizados, em sua maioria, por homens brancos , europeus, estadunidenses e pintores (alguns, gênios)...

Espécie de conclusão geral do projeto, a frase acima é o ponto inicial para a apresentação dos principais resultados da pesquisa



Versão panfleto (pdf)

Distribuído gratuitamente na entrada de museus e centros culturais no Brasil e em outros países.
Clique para ver as instituições que já aceitaram receber o material (atualizado em agosto de 2017)

Associação Cultural Videobrasil, São Paulo (SP)
Casa do Benin, Salvador (BA)
Casa do Povo, São Paulo (SP)
Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte (MG)
Casarão de Ideias, Manaus (AM)
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB SP), São Paulo (SP)
Centro Cultural Banco do Nordeste, Cariri (CE)
Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza (CE)
Centro Cultural Banco do Nordeste, Sousa (PB)
Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro (RJ)
Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, São Paulo (SP)
Chão SLZ, São Luís (MA)
Espaço Cultural Barroquinha, Salvador (BA)
Espaço Cultural de Palmas, Palmas (TO)
Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo (SP)
Fundação Casa de Cultura Macedo Miranda, Resende (RJ)
Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes, Belo Horizonte (MG)
Fundação Vera Chaves Barcellos, Porto Alegre (RS)
Instituto de Artes da Unicamp, Campinas (SP)
IEB, São Paulo (SP)
Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (SP)
Instituto Goethe, São Paulo (SP)
Instituto Inhotim, Brumadinho (MG)
Instituto Ling, Porto Alegre (RS)
Instituto Moreira Salles, São Paulo (SP)
Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (SP)
Itaú Cultural, São Paulo (SP)
JA.CA Centro de Arte e Tecnologia, Nova Lima (MG)
MAMAM, Recife (PE)
MAM-SP, São Paulo (SP)
MIS, Resende (RJ)
Museu Afro Brasil, São Paulo (SP)
Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Jacarepaguá (RJ)
Museu da Abolição, Abolição, Recife (PE)
Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo (SP)
Museu de Arte Contemporânea / Centro Cultural Oscar Niemeyer, Goiania (GO)
Museu de Arte Contemporânea da Prefeitura de Niterói, Niterói (RJ)
Museu de Arte Contemporânea de Americana, Americana (SP)
Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti, Pancetti, Campinas (SP)
Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Sul (MT)
Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba (PR)
Museu de Arte Contemporânea Itajahy Martins, Botucatu (SP)
Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, Feira de Santana (BA)
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, São Paulo (SP)
Museu de Arte Contemporânea, Jataí (GO)
Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza (CE)
Museu de Arte da Universidade Federal do Paraná, Curitiba (PR)
Museu de Arte de Blumenau, Blumenau (SC)
Museu de Arte de Ribeirão Preto - Pedro Manuel Gismondi, Ribeirão Preto (SP)
Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (RJ)
Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópplis (SC)
Museu de Arte Moderna de Resende, Resente (RJ)
Museu de Artes Dr. Carlos Nelz, Gramado (RS)
Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo (RS)
Museu do Estado de Pernambuco, Recife (PE)
Museu Histórico e Artístico do Maranhão, São Luís (MA)
Museu Histórico de Igarassu, Igarassu, Igarassu (PE)
Museu Murillo La Greca, Recife (PE)
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (RJ)
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba (PR)
Museu Regional de Arte de Feira de Santana, Feira de Santana (BA)
Museu Universitário de Arte, Uberlância (MG)
Museu Vale, Vila Velha (ES)
Museu Victor Meirelles, Florianópolis (SC)
Paço das Artes, São Paulo (SP)
Paço do Frevo, Recife (PE)
Palácio Antônio Lemos Museu de Arte de Belém, Belém (PA)
Pilar Galeria, São Paulo (SP)
Pinacoteca da UFV, Viçosa (MG)
Pinacoteca de São Bernardo do Campo, São Bernardo do Campo (SP)
Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (SP)
Pinacoteca Universitária da UFAL, Maceió (AL)
PUC-SP, São Paulo (SP)
Redbull Station, São Paulo (SP)
Saracura, Rio de Janeiro (RJ)
SESC Mato Grosso, Mato Grosso (MT)
Sociedade SEMEAR, Aracaju (SE)
Teatro Gregório de Mattos, Salvador (BA)
Torta, Campinas (SP)
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador (BA).
Univerdade Estadual de Minas Gerais (UEMG), Belo Horizonte (MG)
Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba (PR)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre (RS)




Versão texto

A HISTÓRIA DA1RTE é2 a área3 das ciências4 humanas5 em que se6 constrói7 uma8 narrativa9 sobre10 a criação11 de objetos e experiências12 realizados13, em sua maioria14, por15 homens16 brancos17, europeus18, estadunidenses19 e pintores20 (alguns, gênios21)...22


1. A HISTÓRIA DA _RTE
O projeto apresenta dados quantitativos e qualitativos sobre 2.443 artistas de 11 livros utilizados em cursos de graduação de Artes Visuais no Brasil. *

A intenção é mensurar o cenário excludente da História da Arte oficial estudada no país a partir do levantamento e do cruzamento de informações básicas das/dos artistas encontradas/encontrados. Com isso, espera-se que as interessadas e os interessados no tema tenham um material de apoio para construir outras leituras para a História ou mesmo uma transformação radical do campo. Mais informações e desdobramentos podem ser encontrados no site do projeto: historiada-rte.org

Distribuído gratuitamente na entrada de museus e centros culturais no Brasil e em outros países, este panfleto reúne as principais informações encontradas na pesquisa. É também uma forma de discutir o papel das instituições culturais que são, assim como os livros pesquisados, responsáveis pelo cenário restrito da História da Arte. O que diretores/diretoras e curadores/curadoras dos museus têm a dizer sobre o cenário aqui apresentado? Que ações concretas estão sendo tomadas para que os acervos que coordenam deixem de ignorar as produções artísticas de mulheres, negras e negros, indígenas e não europeus, por exemplo?

Boa visita!

*
A HISTÓRIA DA ARTE
Ernst H. Gombrich, LTC, 2000

ARTE MODERNA
Giulio C. Argan, Companhia das Letras, 1992

ARTE CONTEMPORÂNEA: UMA HISTÓRIA CONCISA
Michael Archer, Martins Fontes, 2001

ARTE CONTEMPORÂNEA: UMA INTRODUÇÃO
Anne Cauquelin, Martins Fontes, 2005

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA HISTÓRIA DE ARTE
Heinrich Wölfflin, Martins Fontes, 2015

ESTILOS, ESCOLAS & MOVIMENTOS: GUIA ENCICLOPÉDICO DA ARTE
Amy Dempsey, Cosac Naify, 2005

GUIA DE HISTÓRIA DA ARTE
Giulio C. Argan e Maurizio Fagiolo, Editorial Estampa, 1994

INICIAÇÃO À HISTÓRIA DA ARTE
Horst W. Janson e Anthony F. Janson, Martins Fontes, 2009

TEORIAS DA ARTE MODERNA
Herschel B. Chipp, Martins Fontes, 1995

TUDO SOBRE ARTE
Stephen Farthing, Sextante, 2010

HISTÓRIA DA CIDADE
Leonardo Benevolo, Perspectiva, 2009

10 autores; 2 autoras; 9 europeus e europeias; 3 estadunidenses; brancos e brancas.
Total de 4.405 páginas pesquisadas.

* 11 livros (não 10) para evidenciar que a pesquisa pode continuar com outras publicações. A inclusão de História da Cidade é uma tentativa de ampliar o estudo em áreas afins – neste caso, a arquitetura.



2. é
Palavras mais encontradas nos 11 livros pesquisados:*

arte (10.010)
é (7.565)
ser (3.950)
p. (3.723)*
são(3.708)
ele (3.369)
pintura (3.024)
forma (2.679)
era (2.613)
obra (2.612)
artista (2.594)
nova (2.555)
ver (2.370)
século (2.240)
fig. (2.189)*

*(excluindo artigos, advérbios e preposições) p. = abreviação de página / fig. = abreviação de figura



3. a área
3.1. Em A História da Arte (Gombrich), Iniciação à História da Arte (Janson), e Tudo sobre Arte (Farthing), a narrativa é construída a partir da divisão binária “arte primitiva” e outra sem nome específico, mas que abrange a discussão de objetos e experiências da Grécia e da Roma Antiga, da Europa na Idade Média até os dias de hoje, dos Estados Unidos a partir do fim do século XIX e de outros poucos povos. Nesses livros, “arte primitiva” inclui criações tão diferentes como as dos pré-colombianos de 3.500 a.C. e as dos aborígenes australianos de hoje. Exemplos de “arte primitiva” em Gombrich:

Estranheza
Estranhos começos: povos pré-históricos e primitivos; América Antiga” (Título do capítulo 1).

Infância
É como se crianças brincando de polícia e ladrão chegassem a um ponto em que já nenhuma delas soubesse onde terminou a representação e começou a realidade. No caso das crianças, porém, há sempre um mundo adulto à volta e pessoas que lhes dizem: ‘Não façam tanto barulho’ ou ‘É hora de ir para a cama’. Quanto ao homem primitivo, não existe outro mundo para estragar a ilusão, porque todos os membros da tribo participam nas danças cerimoniais e nos ritos, imersos nos seus fantásticos jogos de simulação” (GOMBRICH, p. 43).

3.2.(...) [Em] 1989, o Centro Georges Pompidou de Paris abrigou a exposição Magiciens de la Terre. Contendo obras do mundo inteiro, ela objetivava mostrar um pouco da heterogeneidade da arte, e também responder às acusações de eurocentrismo reunindo arte ‘primitiva’ e a nova arte do Ocidente. (...) O crítico americano Thomas McEvilley (...) escreveu: ‘(...) esta foi a primeira exposição importante a tentar (...) descobrir uma forma pós-colonialista de exibir, no mesmo espaço, objetos do Primeiro e do Terceiro Mundo’” (ARCHER, p. 216 a 218).



4. das ciências

Espaço Científico:São científicos os processos de catalogação das coisas de arte, e a catalogação científica é a primeira condição da sua conservação (...) recolhendo dados preciosos para lhe estabelecer a autenticidade e reconstruir-lhe a história” (ARGAN e FAGIOLO, p. 42).


Espaço Expositivo:O mundo exterior não deve entrar, de modo que as janelas geralmente são lacradas. As paredes são pintadas de branco. O teto torna-se a fonte de luz (...) Sem sombras, branco, limpo, artificial – o recinto é consagrado à tecnologia da estética” (No Interior do Cubo Branco, de Brian O’Doherty, Martins Fontes, 2002, p. 4).



5. humanas
Para a nossa cultura, que se baseia na ciência e considera a história a ciência que estuda as ações humanas, o parâmetro do juízo é a história. Uma obra é vista como obra de arte quando tem importância na história da arte e contribuiu para a formação e desenvolvimento de uma cultura artística. Enfim: o juízo que reconhece a qualidade artística de uma obra, reconhece ao mesmo tempo a historicidade” (ARGAN e FAGIOLO, p. 19).



6. em que se
6.1. Em geral, os autores e as autoras dos livros pesquisados utilizam duas estratégias para articulação do sujeito: sujeito indeterminado (“sabe-se”, por exemplo) e algum tipo de sujeito genérico/amplo (“a história da arte”, “arte”, “campo”, “disciplina”, “ciências humanas” etc.). Ambas as estratégias evidenciam a construção de um discurso que parece naturalmente verdadeiro e impedem a identificação do autor ou da autora que o constrói. A estratégia é utilizada com frequência em Conceitos Fundamentais da História da Arte (Wölfflin):

A história da arte antiga trabalha com conceitos idênticos aos da história da arte moderna, e o fenômeno repete-se na Idade Média (...)” (WÖLFFLIN, p. 12).

Sabe-se que um dos motivos preferidos pela pintura barroca consiste em intensificar o movimento em direção à profundidade (...)” (WÖLFFLIN, p. 282).

6.2. Quem são as pessoas que determinam o que é e o que não é a arte de seu tempo? Todo ano, a revista ArtReview publica o Power 100, uma lista das figuras mais influentes da arte contemporânea. Apresentamos aqui os cinco primeiros escolhidos de 2016, utilizando a mesma prática de sujeito genérico encontrado nas afirmações dos livros de História da Arte pesquisados:

  1. Homem, branco, diretor artístico de duas importantes galerias de arte em Londres.
  2.  Homem, branco, diretor artístico da edição de 2017 de uma exposição que ocorre a cada cinco anos em Kassel.
  3. Casal (mulher e homem), brancos, galeristas em Nova York, Londres, Los Angeles, Zurique e Somerset.
  4. Homem, branco, galerista em Nova York, Londres e Hong Kong.
  5. Homem e mulher, brancos, diretores de museu em Londres.



7. constrói
7.1. Nos capítulos que se seguem examinarei a história da arte, que é a história da construção, da feitura de quadros e da realização de estátuas” (GOMBRICH, p. 37).


Maquete do Monumento à Terceira Internacional (1919), Vladimir Tatlin (nunca de fato construído).

7.2.Desde a idade das cavernas, o homem (sic) glorificou-se a si mesmo, endeusou-se e, com sua vaidade monstruosa, provocou catástrofes humanas. A arte vem colaborando no falso desenvolvimento do homem (...) As pirâmides, os templos, as catedrais, as pinturas dos homens de gênio, tudo isso se transformou em belas múmias. (...) O homem precisa ser curado de sua vaidade” (Trecho do manifesto Arte Abstrata, Arte Concreta, de Jean Arp, em CHIPP, p. 394).



8. uma
8.1. Mesmo com 16 edições (1950 a 1999), Gombrich jamais alterou significativamente o texto principal de A História da Arte. Em 1966, ele acrescenta uma seção final (“Uma História Sem-Fim”) sob a justificativa de “que a situação mudou radicalmente desde que a minha A História da Arte foi publicada pela primeira vez” (p. 638). É nesse acréscimo que ele finalmente cita Marcel Duchamp – de forma negativa e avisando que espera “sinceramente não ter contribuído para essa moda” (p. 601). Em um conjunto de notas finais, também inclui um pequeno comentário genérico sobre novas abordagens na História da Arte. Esse texto (p. 643) ocupa duas linhas em tamanho menor que o texto original, considera a discussão sobre o papel das mulheres na arte como algo menor (“questões recentemente ventiladas”) e cita dois livros sobre o assunto, sem mais detalhes.

8.2. Se existe um conceito de arte absoluta, e esse conceito não se formula como norma a ser posta em prática, mas como um modo de ser do espírito humano, é possível apenas tender para este fim ideal, mesmo sabendo que não será possível alcançá-lo, pois alcançando-o cessaria a tensão e, portanto, a própria arte” (ARGAN, p. 11).

8.3.O direito a figurar entre os sujeitos que fazem a história da arte (...) depende, em grande parte, daqueles outros sujeitos responsáveis pela escrita da história, a saber, o historiador da arte, o crítico, o museólogo e o curador (...)” (As Mulheres Artistas e os Silêncios da História, de Ana Paula Cavalcanti Simioni, Labrys - Revista de Estudos Feministas, janeiro / junho 2007).



9. narrativa
9.1. Comparação entre o sumário de um livro de História da Arte geral e outro específico de arte contemporânea:

A História da Arte (Gombrich)
Introdução – Estranhos começos – Arte para a eternidade – O grande despertar – O império do belo – Conquistadores do mundo – Bifurcação de caminhos – Olhando para o Oriente – A arte ocidental em fase de assimilação – A Igreja militante – A Igreja triunfante – Cortesãos e burgueses – A conquista da realidade – Tradição e inovação I – Tradição e inovação II – Realização da harmonia – Luz e cor  – A propagação do novo saber – Uma crise da arte – Visão e visões  – O espelho da natureza – Poder e glória I  – Poder e glória II  – A era da razão – A ruptura na tradição – Revolução permanente – Em busca de novos padrões – Arte experimental – Uma história sem-fim.

Arte Contemporânea: uma história concisa (Archer)
Prefácio – O real e seus objetos – O campo expandido – Ideologia, identidade e diferença – Pós-modernismos – Assimilações – Conclusão.

9.2. Nos livros pesquisados, há uma narrativa cronológica nas trajetórias das e dos artistas que é frequentemente utilizada. Para que elas e eles pudessem ser capazes de experiências artísticas mais radicais, tiveram de ter realizado antes obras mais acadêmicas. É o caso de Picasso que, para Gombrich, só conseguiu desenhar um galo cubista pois já havia desenhado uma imagem tradicional de uma galinha e seus pintinhos (p. 26 e 27).



10. sobre
10.1.
1.060
IMAGENS DOS LIVROS
CONTÊM MULHERES
(44,3% ESTÃO NUAS OU SEMINUAS)

765
IMAGENS DOS LIVROS
CONTÊM HOMENS
(18,9% NUS OU SEMINUS –
DESSES, 48,2% JESUS)


A mulher está presente enquanto imagem (...) passiva, disponível, possível, impotente. O homem está ausente da imagem, mas o que esta significa é sua fala, sua opinião e sua posição de domínio” (Old Mistresses: Women, Art and Ideology, de Rozsika Parker e Griselda Pollock, I. B. Tauris, 2013, p. 116, tradução nossa).


Friné diante do Areópago (c.1861), Jean-Léon Gérôme.


10.2.

* É provável que esse seja um dos objetos mais representados nas imagens das publicações estudadas (inclui tronos, encostos ou similares).



11. a criação
Os dados sobre a maioria das e dos artistas neste projeto foram buscados no Benezit Dictionary of Artists e no Grove Art Online, ambos da plataforma Oxford Art Online. Todas as e todos os artistas ali são classificadas e classificados a partir de, no mínimo, uma técnica. Mas há espaços para variações. De acordo com Alodie Larson, editora do site, não há um vocabulário controlado na enciclopédia; os verbetes são escritos por pesquisadoras e pesquisadores especialistas; e toda nova publicação é revisada. Feitas essas ressalvas, as e os artistas dos livros pesquisados criam:

Pintura – 1.566 (64,10%) / Desenho – 680 (27,83%) / Escultura – 655 (26,81%) / Gravura – 473 (19,36%) / Arquitetura – 388 (15,88%) / Aquarela – 327 (13,39%) / Ilustração – 228 (9,33%) / Instalação – 178 (7,29%) / Design – 168 (6,88%) / Fotografia – 165 (6,75%) / Mídias mistas – 143 (5,85%) / Litografia – 134 (5,49%) / Colagem – 122 (4,99%) / Filme/Vídeo – 94 (3,85%) / Performance – 90 (3,68%) / Design decorativo – 68 (2,78%) / Assemblagem – 62 (2,54%) / Afresco – 42 (1,72%) / Multimídia: 41 (1,68%) / Cerâmica – 32 (1,31%) / Environmental – 28 (1,15%) / Pôster – 23 (0,94%) / Fotomontagem – 22 (0,90%) / Barro – 17 (0,70%) / Conceitual – 16 (0,65%) / Caricatura – 14 (0,57%) / Joalheria – 14 (0,57%) / Miniatura – 14 (0,57%) / Livro – 13 (0,53%) / Iluminuras – 9 (0,37%) / Graffiti – 8 (0,33%) / Vidro – 8 (0,33%) / Intervenção – 7 (0,29%) / Medalha – 7 (0,29%) / Monotipia – 7 (0,29%) / Têxtil – 6 (0,25%) / Happenings – 5 (0,20%) / Mosaicos – 5 (0,20%) / Action – 4 (0,16%) / Cenografia – 4 (0,16%) / Pedra – 4 (0,16%) / Body – 2 (0,08%) / Processual – 1 (0,04%) / Tapeçaria – 1 (0,04%)



12. de objetos e experiências
Nos livros, a História da Arte não é a história dos objetos e das experiências artísticas, é a história de suas fotografias.


Fotografia em preto e branco de obra de Piet Mondrian no livro História da Cidade (BENEVOLO)



13. realizados
Não é a forma do objeto que define o que é considerado arte chamada de “primitiva” pelos autores dos livros pesquisados. Se comparadas a partir de suas silhuetas, a arte “primitiva” não é diferente da chamada arte contemporânea:






14. em sua maioria
14.1. De um total de 2.443 artistas, obtivemos dados completos de 2.402. A margem de erro das porcentagens é de 0,34%.

14.2. A metodologia e o resultado da pesquisa, que está em formato de tabelas (uma para cada livro e uma com os dados somados), estão disponibilizados no site do projeto historiada-rte.org e podem ser utilizados livremente por qualquer pessoa. Todos os dados foram revisados no mínimo uma vez. Uma de nossas principais inquietações foram as categorias gênero e raça. Sem a possibilidade de contar com a autoidentificação das e dos artistas, como defini-los? Optamos por contabilizar e indicar nas tabelas de dados somente negras e negros e mulheres em geral. Existe o interesse da equipe em pensar formas de continuar essa pesquisa indicando também outros grupos, como os indígenas, eventualmente citados nesses livros.

14.3. ARTISTAS SEM NENHUMA INFORMAÇÃO ENCONTRADA:
Gariani, Georg Pener, Liev lúdin, Ustad Sahibdin, Wendy Foster e Xsi Xsu.



15. por
15.1.(...) classificações e os limites são fluidos e nem sempre observados ou gerados pelos próprios artistas. Embora muitos deles tenham formado grupos ou formulado manifestos, algumas das designações mais familiares, empregadas atualmente, se devem inicialmente a críticos, curadores, colecionadores ou patrocinadores. Impressionismo e fauvismo foram rótulos aplicados por críticos sarcásticos. Vários grupos, como Os Vinte e o Salão da Rosa-Cruz, eram sociedades dedicadas à realização de exposições. Pós-impressionismo se refere mais a um período do que a um estilo, vídeo é uma mídia e Bauhaus, uma instituição educativa(DEMPSEY, prefácio).

15.2.(…) há de fato um ‘sistema’ da arte: o produtor, o comprador – colecionador ou aficionado – passando pelos críticos, publicitários, curadores, conservadores, as instituições, os museus (...) etc.” (CAUQUELIN, 2005, p. 14 e 15).

15.3. Entre as poucas imagens que ilustram Teorias da Arte Moderna (Chipp), um número significativo é de assinaturas dos artistas ali discutidos como se elas fossem tão importantes do que as imagens dos próprios trabalhos de arte. O dicionário consultado para a obtenção de dados para este projeto, o Oxford Art Online, também possui esse mesmo fetiche – ali é possível encontrar 11.132 assinaturas de artistas.



16. homens
Nos livros, a data de nascimento de artistas varia entre 2655 a.C. e 1974. De nascimento de artistas mulheres varia entre 1593 e 1971 – com apenas quatro nascidas antes do século XIX: Artemisia Gentileschi (1593-1652); Judith Leyster (1600-1660); Angelica Kauffmann (1741-1807) e Louise-Élisabeth Vigée Le Brun (1755-1842).

—> Quando citada em Iniciação à História da Arte (Janson), Louise-Élisabeth Vigée Le Brun é chamada de “bela mulher”, assim como os retratos rococós que pintava.




ARTISTAS MULHERES (NASCIDAS 1593—1971)
Artemisia Gentileschi, Judith Leyster, Angelica Kauffmann, Louise-Élisabeth Vigée Le Brun, Julia Margaret Cameron, Rosa Bonheur, Henriette Browne, Harriet Hosmer, Berthe Morisot, Maria Zambaco, Mary Cassatt, Sarah Bernhardt, Marie Spartali Stillman, Anna Boch, Gertrude Käsebier, Marianne von Werefkin, Margaret Macdonald Mackintosh, Nadezhda Udaltsova, Käthe Kollwitz, Frances Macdonald, Valentine de Saint-Point, Paula Modersohn-Becker, Katherine Dreier, Gabriele Munter, Elisabeth Epstein, Eileen Gray, Vanessa Bell, Natalia Goncharova, Aleksandra Ekster, Madge Gill, Imogen Cunningham, Marie Laurencin, Helen Saunders, Sonia Terk Delaunay, Emmy Hennings, Olga Rozanova, Tarsila do Amaral, Georgia O’Keeffe, Sophie Taeuber-Arp, Vera Mukhina, Suzanne Duchamp, Hannah Höch, Liubov Popova, Elsa Schiaparelli, Valentine Hugo, Marie Marevna Vorobieff, Vera Ermolaeva, Marianne Brandt, Madame Yevonde, Varvara Stepanova, Aino Marsio Aalto, Dorothea Lange, Antonietta Raphael, Gunta Stölzl, Tamara de Lempicka, Louise Nevelson, Betty Parsons, Barbara Hepworth, Charlotte Perriand, Margaret Bourke-White, Germaine Richier, Eileen Agar, Dorothy Norman, Frida Kahlo, Mary Martin, Leonor Fini, Maria Helena Vieira da Silva, Nina Leen, Dorothea Tanning, Jacqueline Lamba, Emily Kame Kngwarreye, Louise Bourgeois, Lee Krasner, Agnes Martin, Ray Eames, M. C. Richards, Leonora Carrington, Anne Truitt, Mougouch Fielding, Miriam Schapiro, Diane Arbus, Beverly Pepper, May Stevens, Elaine Sturtevant, Nancy Spero, Gae Aulenti, Helen Frankenthaler, Alison Smithson, Jo Baer, Yayoi Kusama, Jay DeFeo, Niki de Saint-Phalle, Marisol Escobar, Magdalena Abakanowicz, Lee Bontecou, Audrey Flack, Marisa Merz, Bridget Riley, Charlotte Moorman, Alison Knowles, Mary Frank, Yoko Ono, Mary Beth Edelson, Viola Frey, Yvonne Rainer, Hilla Becher, Jeanne-Claude Christo, Eleanor Antin, Paula Rego, Ree Morton, Joan Jonas, Georgie Cheesman, Nancy Holt, Monica Sjöö, Carolee Schneemann, Judy Chicago, Mierle Laderman Ukeles, Gina Pane, Barbara Chase-Riboud, Nancy Graves, Hannah Wilke, Elizabeth Murray, Valie Export, Susan Hiller, Joanne Leonard, Steina Vasulka, Mary Kelly, Hanne Darboven, Jackie Winsor, Jennifer Bartlett, Lynda Benglis, Jann Haworth, Annette Messager, Ulrike Rosenbach, Martha Rosler, Harmony Hammond, Mary Miss, Candida Höfer, Barbara Kruger, Susan Rothenberg, Rose Finn-Kelcey, Dara Birnbaum, Alice Aycock, Marina Abramovic, Judy Pfaff, Magdalena Jerelová, Susana Solano, Nalini Malani, Tina Girouard, Laurie Anderson, Louise Lawler, Martha Wilson, Sherrie Levine, Adrian Piper, Alison Wilding, Tina Keane, Isa Genzken, Judith Barry, Jenny Holzer, Zaha Hadid, Barbara Bloom, Mona Hatoum, Rosemarie Trockel, Nan Goldin, Penny Siopis, Sophie Calle, Helen Chadwick, Cindy Sherman, Sue Williams, Joan Mitchell, Karen Kilimnik, Shirazeh Houshiary, Ann Hamilton, Cady Noland, Cristina Iglesias, Cornelia Parker, Katharina Fritsch, Kimsooja, Jessica Diamond, Shirin Neshat, Doris Salcedo, Maya Ying Lin, Lisa Milroy, Jane Alexander, Lorna Simpson, Zoe Leonard, Sylvie Fleury, Bethan Huws, Sarah Lucas, Anya Gallacio, Gillian Wearing, Rachel Whiteread, Tracey Emin, Betsabeé Romero, Karen Finley, Andrea Fraser, Angela Bulloch, Mariko Mori, Vladimir Cybil Charlier, Christine Hill, Sigalit Landau, Alex Bag, Jenny Saville.

ARTISTAS COM DATA DE NASCIMENTO NÃO ENCONTRADA
Olia Liálina, Carol Goodden, Jacki Apple, Bobby Baker, Jeannine Guillou, Julia Heyward, Katarina Matiasek, Kate Walker, Monica Narula, Rose English, Helen Harrison, Lucia Bartolini.



17. brancos
17.1.

ARTISTAS NEGRAS E NEGROS (1882—1969)
Aina Onabolu, Norman Lewis, Ben Enwonwu, Jackson Hlungwani, Frédéric Bruly Bouabré, Bruce Onobrakpeya, Uche Okeke, Benjamin Patterson, David Koloane, Barbara Chase-Riboud, William T. Williams, David Hammons, Chéri Samba, Andre Juste, Fab Five Freddy, Lorna Simpson, Jean-Michel Basquiat, Zwelethu Mthethwa, Dondi White, Romuald Hazoumè, Steve McQueen, Cool Earl (data de nascimento não encontrada).


17.2. Relato de Ananda Carvalho, curadora e integrante do projeto: “Conversei com Vera Lúcia Benedito (professora, doutora em sociologia, do conselho deste projeto, mulher, descendente da diáspora africana, como prefere se definir) sobre os dados encontrados nesta pesquisa. Ela ressalta que essa problemática ‘é muito mais profunda que o discurso’ e demanda pensar na vivência cotidiana. ‘Temos de descolonizar a nossa mente. Temos de sair da formatação de ver o mundo pelos olhos que os outros nos olham e conhecer nossa riqueza cultural’, afirma. Vera amplia as discussões deste projeto para a sociedade como um todo: 54% da população brasileira é afrodescendente e a presença de uma classe média negra brasileira tem sido considerável há mais de 70 anos. Entretanto,‘a visibilidade negra (quando aparece) ocorre apenas no espaço do lúdico (a música, o esporte etc.)’. Diante desse cenário, além de indagar sobre a presença dos artistas visuais, ela adiciona: ‘Onde estão as/os médicas/médicos, engenheiras/engenheiros, biólogas/biólogos, e bibliotecárias/bibliotecários negras/negros por exemplo?’”.



18. europeus
19. estadunidenses


ARTISTAS BRASILEIRAS E BRASILEIROS (1886—1961)
Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Oscar Niemeyer, Almir Mavignier, Öyvind Fahlström, Abraham Palatnik, Helio Oiticica, Cildo Meireles, Vik Muniz.



20. e pintores
20.1.


20.2. Por causa da educação recebida, de sua posição no contexto da família, das expectativas sociais a que estavam sujeitos e dos papéis que aprendiam a representar como naturalmente seus, havia poucas probabilidades de que meninos e meninas conseguissem alcançar a maturidade com oportunidades iguais de desenvolver uma identidade como ‘artistas’. Mesmo se estivessem na situação incomum de terem sido educados de maneira pouco convencional (a ponto de transgredir os estereótipos de gênero tradicionais), deparariam com um mundo artístico e uma sociedade institucionalmente estruturada em termos de gênero.” (Gênero e Representação, de Tamar Garb, em Modernidade e Modernismo: a Pintura Francesa no Século XIX , Cosac Naify, 1998, p. 230 e 231).



21. alguns, gênios
21.1. Dos 11 livros, 4 consideram a existência de gênios na História da Arte: A História da Arte (Gombrich); Iniciação à História da Arte (Janson); História da Cidade (Benevolo) e Arte Moderna (Argan) – este último sempre utilizando o termo entre aspas e com ressalvas. No total, 15 artistas (todos homens) são citados como gênios – 10 deles do século XIV e XVI e 7 italianos: Michelangelo (1475-1564, Itália);  Masaccio (1401-1428, Itália); Rafael Santi (1483-1520, Itália); Leonardo da Vinci (1452-1519, Itália); Rembrandt van Rijn (1606-1669, Holanda); Auguste Rodin (1840-1917, França); Pablo Picasso (1881-1973, Espanha); Giotto di Bondone (1266-1337, Itália); Andrea Mantegna (1431-1506, Itália); Hugo van der Goes (1440-1482, Bélgica); Matthias Grünewald (1445-1528, Alemanha); Ticiano Vecellio (1480-1576, Itália); Pieter Bruegel (1525-1569, Bélgica); Francisco Goya (1746-1828, Espanha) e Frank Lloyd Wright (1867-1959, Estados Unidos).

21.2. Segundo os livros, eles são...
Homens
... o ‘gênio’, seja lá o que for, torna-se uma reserva exclusivamente masculina” (ARCHER, p. 125).

Falsamente rebeldes
... assumem o ar de iniciados, gênios inspirados e rebeldes, mas geralmente estão prontos a fazer todas as concessões” (ARGAN, p. 208).

Sine quibus non
Não há como explicar a existência do gênio. É preferível apreciá-lo” (GOMBRICH, p. 287).

21.3.A ênfase sobre a obra-prima é principalmente uma ideia de colecionador e tem pouca relação com um movimento artístico.” (O Projeto Federal de Arte, 1936, de Holger Cahill, em CHIPP, p. 477 e 478).



22. ...
22.1. A HISTÓRIA DA _RTE é um projeto que tem forte influência das novas leituras para a História da Arte – como as de Arthur Danto, Hans Belting, Didi-Huberman, estudos pós-coloniais etc. publicadas desde os anos 1980 e que vêm ganhando espaço nas universidades brasileiras nas últimas décadas. Considerando que essas discussões se restringem a poucos grupos, em geral no âmbito acadêmico de cursos de pós-graduação, este projeto procura oferecer dados para que elas também ocorram em públicos mais amplos.

22.2. Em Arte Moderna (Argan), há uma seção final com 90 artistas do século XX. Todos homens, com exceção de Sonia Delaunay Terk e Natalia Goncharova. A biografia da última é inteiramente construída a partir de ações que realizou ao lado de seu companheiro, Michel Larionov. Em sua biografia há a data que o conheceu – o mesmo não ocorre na biografia de Larionov.

22.3. É possível uma estética ou uma teoria de arte que não se insiram numa teoria de valores? É possível uma ciência estética que não seja história da arte?” (ARGAN e FAGIOLO, p. 40).

22.4.A história da arte só começa a fazer sentido quando vemos por que não o é” (GOMBRICH, trecho final da edição de 1966, p. 618).





Peixe grande come peixe pequeno (1557), Pieter Van der Heyden.